Domingo, 01 de Março, 2009

 

 

 

Hoje senti o desejo de postar esta poesia de palavras bem claras, bem esclarecedoras

do que observei quando era miúda, numa aldeia onde só o Sol e as crianças eram risonhas.

Labutava-se de sol a sol, para levar a vida por diante, nunca se ouvia a palavra fartura a não ser de cansaço.Tenho exactamente na minha memória o que vou aqui descrever.

Hoje, então vou dedicar a todos que como eu foram criados, estas tão simples palavras.

 

Na eira

 

Vieram tardes quentes de Verão

Na eira, malhava-se o pão

Depois, lançado no ar

Vinha o vento joeirar!

Quando o Sol amansava

Ficáva o cansaço

E a gente descansava

baixando o braço.

 

Bem  tarde, á tardinha

Regava-se a horta

Ao chegar a noitinha

Sentava-se o corpo, na soleira da porta.

O cão ao lado fazendo companhia

E a gente suada, ali adormecia.

 

Deitavam-se os filhos

A mulher suspirava!

De tantos cadilhos

Que a Vida lhe dava.

 

E no desespero á taberna  se ía

E com mais um copo, na mulher batia

Pronto a começar... nas mãos cuspia

Disposto a aguentar por mais um dia.

 

Imolados por uma Vida  de insegurança

Viviam só de migalhas de esperança!

Chegando a noite  com Amor ausente

Da boca brotavam palavras, secamente.

 

 

 

sinto-me: nostálgica
publicado por rosafogo às 16:33

Olá Rosafogo!

Outros tempos, outras histórias
coisas da vida que permanecem
olhares do passado com memória
tempos que jamais se esquecem

Abraço.
manu a 1 de Março de 2009 às 19:27

Marcas dolorosas que ficam, como era bom que assim não fosse.
Mas no meu caso, bem nova tomei conta do meu rumo.

Obrigado por ter passado, é sempre agradável tê-lo por perto!
Boa semana
Abraço
rosafogo a 1 de Março de 2009 às 21:38

Vidas difíceis, árduas, repletas de suor, sacrifícios e carências, mas também repletas de esperança e de força no amanhã que esquece rapidamente o ontem! isto sim era garra e vontade de lugar contra a adversidade!

Gostei imenso bela caracterização de tempos de outrora, que embora com outras nuances se vão repetindo,

Beijinhos, Rita
teladosentir a 1 de Março de 2009 às 20:42

Sempre de palavra certa, tão jovem, como é possível tamanha maturação?!

Uma luta que é passada, mas que não se esquece nunca, primeiro éramos muito
crianças , mas na adolescência, as coisas já eram bem sentidas e vivia-se um pouco
com a angústia de não poder mudar nada.

Um beijinho grande
Obrigado por ter passado
rosafogo a 1 de Março de 2009 às 21:46

Venho deixar-te um abraço.
Em relação ao teu poema - lindíssimo - parece que eu fiz o percurso ao contrário... sem a violência, claro. Pelo menos agora.
poetaporkedeusker a 1 de Março de 2009 às 20:51

Boa amiga, que não te esqueces de mim, desvias o teu caminho, as tuas preocupações para
vires trazer sempre uma palavra de amizade e simpatia, agradeço-te muito.

Que o Sol te aqueça
Um abraço

Que o Sol te aqueça também a ti, amiga.
Abraço grande.


mais sobre mim
Março 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
18
21

23
25
26
28

29
30


últ. comentários
Queria amiga Poetisa Rosafogo, Que das coisas simp...
Olá!Vim apenas fazer um teste, para ver se consegu...
Parabens pelo post. Falar de coisas simples por ve...
Acontece-me exactamente o mesmo, Natália! Depois d...
É assim Mªa João, dispersei-me e agora é tão difíc...
Também me perco imenso, Natália. Não penses que és...
Há séculos dizes bem MªJoão, bem que eu gostaria q...
Para mim também foi uma alegria encontrar-te Ause...
Obrigada PC é bom encontrar palavras amigas.Tento ...
Olá Martinha obrigada por vires ler, tenho andado ...
pesquisar
 

blogs SAPO


Universidade de Aveiro