Domingo, 07 de Dezembro, 2008

A nossa memória vai insistindo, insistindo e vão ressurgindo, os cheiros, as cores e os gestos de há anos atrás de quando éramos crianças. Então surgem as pessoas que nos

rodeavam, o som da sua voz, o seu andar , as suas conversas de fim de  tarde soalheiras

nos degraus das casas. O cheiro da sopa, o cheiro do sabão azul e branco, o cheiro dos colchões de palha de milho, o depenar das galinhas em agua fervente, o som da agua do açude sempre cantando, o som do sino da igreja. E por fim os gestos de pôr o cantaro à

cabeça, o gesto de lavar a roupa no rio, de estender a roupa na corda, da ída à oração da

noite, dum beijo roubado só presenciado por quem de confiança, enfim, uma estória sem fim quando nos pomos a recordar.

Extratemporal sempre fui, tinha necessidade de me antecipar ao tempo, por isso fui a ùnica

rapariga a tomar rédea do destino diferente de todas as outras da aldeia, saindo para trabalhar numa cidade distante ,sózinha o que na altura era quase impensável e foi a

recordar esta minha coragem  que me vieram à memória todas as outras.

 

 

Breve

 

Tão breve como um bater de asas

Vertiginosa como vento que assobia

A Vida que é fogo já sem brasas

Fogueira agonizando de melancolia.

 

Perde-se num mar de emoções

Onde o tempo passa sem tempo, inquieto

Dissipa-nos da mente as recordações

Tem-nos cativos, num destino incerto.

 

Restam da vida, cinzas mortas, apagadas

Só se ouvindo murmúrios sem cadência

Solidão, dor e lágrimas resignadas

 

A memória é já grão de loucura

Tudo o resto se apaga na ausência

Só o olhar, guarda ainda alguma ternura.

publicado por rosafogo às 22:25

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